{"id":1278,"date":"1975-01-01T18:54:40","date_gmt":"1975-01-01T18:54:40","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:8888\/wordpress\/?p=1278"},"modified":"2022-03-22T19:04:08","modified_gmt":"2022-03-22T19:04:08","slug":"a-revolucao-cubana-uma-reinterpretacao-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marini-escritos.unam.mx\/?p=1278","title":{"rendered":"A Revolu\u00e7\u00e3o Cubana: uma reinterpreta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marini-escritos.unam.mx\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/download-edited.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1930\" width=\"658\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">Fuente: Vania Bambirra, A Revolu\u00e7\u00e3o Cubana: uma reinterpreta\u00e7\u00e3o, Ed. Centelha, Coimbra, Brasil, 1975. Se publica en Internet gracias a la autora del libro.<\/mark><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-background has-vivid-red-background-color has-vivid-red-color\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">Esta obra de Vania Bambirra representa o produto de um paciente trabalho de investiga\u00e7\u00e3o. Com a independ\u00eancia intelectual que a caracteriza, a autora negou-se a aceitar ideias feitas e enfoques tradicionais sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana e, remetendo-se \u00e0s fontes, procurou reinterpretar alguns aspectos fundamentais desse processo de tanto significado para os povos da Am\u00e9rica Latina. A exposi\u00e7\u00e3o dos resultados ordena-se em torno de duas vertentes: a guerra revolucion\u00e1ria, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qual se examina a concep\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica que a guiou, bem como as for\u00e7as sociais que nela intervieram, e o car\u00e1cter da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Definindo com rigor as linhas estrat\u00e9gicas que os dirigentes cubanos adoptaram sucessivamente durante a guerra revolucion\u00e1ria, o estudo permite acompanhar a integra\u00e7\u00e3o progressiva das diversas classes no processo. Entende-se este como uma express\u00e3o da luta de classes na sociedade cubana, que levou a que, ap\u00f3s a rea\u00e7\u00e3o da pequena burguesia, se caminhasse para a forma\u00e7\u00e3o de uma alian\u00e7a de classes na qual se salientou cada vez mais o papel desempenhado pelos oper\u00e1rios e pelos camponeses.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 dif\u00edcil, doravante, continuar a defender, relativamente ao processo cubano, teses que desprezam a import\u00e2ncia da participa\u00e7\u00e3o das massas e da organiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, como as que se expressaram nas propostas foquistas. A autora completa, assim, um trabalho em que surgiu como pioneira, desde que, sob o pseud\u00f3nimo de Clea Silva, submeteu, pela primeira vez na Am\u00e9rica Latina, a uma cr\u00edtica sistem\u00e1tica, os pontos de vista defendidos por R\u00e9gis Debray.<sup>1<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o facto de a alian\u00e7a de classes se encontrar ainda em forma\u00e7\u00e3o, ao triunfar a Revolu\u00e7\u00e3o, ter\u00e1 repercuss\u00f5es no curso que esta vir\u00e1 a tomar, ap\u00f3s a queda de Batista. \u00c9 isto que leva a autora, o que representa sem d\u00favida a tese do seu trabalho que melhor se prestar\u00e1 \u00e0 pol\u00e9mica, a distinguir duas etapas no curso da revolu\u00e7\u00e3o, a democr\u00e1tica e a socialista, cuja linha divis\u00f3ria se estabelece no segundo semestre de 1960, ou seja, mais de um ano depois da queda da tirania.<meta charset=\"utf-8\"><sup>2<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>A import\u00e2ncia desta tesa merece que nos detenhamos em algumas considera\u00e7\u00f5es \u00e0 volta dela. Para l\u00e1 das inten\u00e7\u00f5es da autora, os equ\u00edvocos a que pode conduzir s\u00e3o suscept\u00edveis de prejudicar o combate que se iniciou, justamente a partir da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, contra os que, em nome da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, preconizam, na Am\u00e9rica Latina, a alian\u00e7a da classe oper\u00e1ria com uma burguesia nacional portadora de interesses anti-imperialistas e antiolig\u00e1rquicos.<\/p>\n\n\n\n<p>E certo que a autora n\u00e3o admite sequer a exist\u00eancia de uma burguesia nacional deste tipo (veja-se o cap\u00edtulo \u201cRumo \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Socialista\u201d). Contudo, e ainda que a d\u00favida possa dissipar-se se se consultarem outros trabalhos seus, a sua argumenta\u00e7\u00e3o no presente livro n\u00e3o esclarece de forma categ\u00f3rica se, nos pa\u00edses latino-americanos, onde o desenvolvimento industrial deu lugar ao surgimento de uma burguesia vinculada ao mercado interno, esta possui virtualidades revolucion\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Conv\u00e9m, portanto, recordar que um dos m\u00e9ritos dos estudos sobre a depend\u00eancia, que se desenvolveram na Am\u00e9rica Latina a partir de meados da d\u00e9cada passada e em cujo \u00e2mbito a autora iniciou o seu trabalho intelectual&nbsp;<meta charset=\"utf-8\"><sup>3<\/sup>, foi o de demonstrar que o imperialismo n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f3meno externo ao capitalismo latino-americano mas sobretudo um elemento constitutivo deste. A consequ\u00eancia te\u00f3rica mais importante que da\u00ed se desprende, e que n\u00e3o foi ainda tratada sistematicamente, \u00e9 a de que a domina\u00e7\u00e3o imperialista n\u00e3o se reduz \u00e0s suas express\u00f5es mais vis\u00edveis, como sejam a presen\u00e7a de capitais estrangeiros na produ\u00e7\u00e3o, a transfer\u00eancia de mais-valia para os pa\u00edses imperialistas mediante mecanismos mercantis e financeiros e a subordina\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, antes se manifesta na pr\u00f3pria forma que o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista assume na Am\u00e9rica Latina e no car\u00e1cter espec\u00edfico que aqui adquirem as leis que regem o seu desenvolvimento. O modo como se agudizam, no capitalismo dependente, as contradi\u00e7\u00f5es inerentes ao ciclo do capital; o agravamento do car\u00e1cter explorativo do sistema, que o leva a configurar um regime de superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho; os obst\u00e1culos criados \u00e0 passagem da mais-valia extraordin\u00e1ria a mais-valia relativa, e seus efeitos perturbadores na forma\u00e7\u00e3o da taxa m\u00e9dia de lucro; a consequente extrema\u00e7\u00e3o dos processos de concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o do capital \u2014\u00e9 isto que constitui a ess\u00eancia da depend\u00eancia, a qual n\u00e3o pode ser suprimida sem se eliminar o pr\u00f3prio sistema econ\u00f3mico que a engendra o capitalismo. Este tra\u00e7ado te\u00f3rico apoia a tese pol\u00edtica segundo a qual n\u00e3o h\u00e1 anti-imperialismo poss\u00edvel fora da luta pela liquida\u00e7\u00e3o do capitalismo e, por conseguinte, fora da luta pelo socialismo. Mas o socialismo n\u00e3o \u00e9 apenas um determinado regime de organiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o da riqueza, ou seja, n\u00e3o \u00e9 simplesmente uma certa forma econ\u00f3mica. O socialismo \u00e9, acima de tudo, a economia que exprime os interesses de uma classe \u2014o proletariado\u2014 e se op\u00f5e, portanto, aos interesses da classe afrontada pelo proletariado: a burguesia. A luta pelo socialismo expressa-se, pois, atrav\u00e9s da revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria, que op\u00f5e a classe oper\u00e1ria e seus aliados \u00e0 burguesia enquanto classe. Entende-se, assim, que esta n\u00e3o tenha lugar no bloco hist\u00f3rico de for\u00e7as a quem incumbe realizar a revolu\u00e7\u00e3o latino-americana,<\/p>\n\n\n\n<p>Aclaremos bem este ponto. A luta pelo socialismo \u00e9, fundamentalmente, uma luta pol\u00edtica, no sentido de que o proletariado tem de contar com o poder do Estado para quebrar a resist\u00eancia da burguesia aos seus des\u00edgnios de classe e impor aos sectores mais d\u00e9beis desta, \u00e0s camadas m\u00e9dias burguesas, que subsistem ainda durante um certo tempo, uma pol\u00edtica que destrua as suas bases materiais de exist\u00eancia. A pol\u00edtica do proletariado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 burguesia \u00e9 sempre uma pol\u00edtica de for\u00e7a; o que varia \u00e9 o grau de for\u00e7a, isto \u00e9, de viol\u00eancia, que o proletariado utiliza relativamente \u00e0s diversas camadas e frac\u00e7\u00f5es burguesas, grau esse que se determina em \u00faltima inst\u00e2ncia pela capacidade de resist\u00eancia das ditas camadas e frac\u00e7\u00f5es \u00e0 pol\u00edtica prolet\u00e1ria. \u00c9 isto que faz com que, para L\u00eanine, o socialismo n\u00e3o seja apenas a electrifica\u00e7\u00e3o, o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas, as transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas, mas tamb\u00e9m os sovietes, quer dizer, o poder do proletariado organizado no Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>A etapa democr\u00e1tica da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, tal como V\u00e2nia Bambirra a define aqui, \u00e9 uma luta dura pelo poder, um esfor\u00e7o ingente para afirmar a hegemonia prolet\u00e1ria no seio do bloco revolucion\u00e1rio de classe que se come\u00e7ara a forjar no curso da guerra e para a exprimir plenamente no plano do Estado. A autora fica-nos a dever, neste sentido, um estudo mais pormenorizado de como as classes revolucion\u00e1rias, cuja vanguarda se achava organizada no Ex\u00e9rcito Rebelde, enfrentaram as tentativas da burguesia e do imperialismo para manter o seu dom\u00ednio e arrancar-lhes a vit\u00f3ria t\u00e3o duramente conquistada; de como o aparelho do Estado foi disputado palmo a palmo e conquistado atrav\u00e9s de medidas tais como a cria\u00e7\u00e3o dos tribunais militares e a substitui\u00e7\u00e3o de Mir\u00f3 Cardona por Fidel Castro \u00e0 frente do governo; de como, atrav\u00e9s das mil\u00edcias armadas camponesas e oper\u00e1rias, cuja exist\u00eancia adquiriu forma legal com o estatuto da Mil\u00edcia Nacional Revolucion\u00e1ria de 26 de Outubro de 1959, se continuou a incorpora\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o de massas cada vez mais amplas de oper\u00e1rios e camponeses no eixo do poder revolucion\u00e1rio \u2014o Ex\u00e9rcito\u2014; de como o governo revolucion\u00e1rio de Fidel Castro, apoiado na for\u00e7a das massas organizadas e armadas, fez desaparecer progressivamente a presen\u00e7a burguesa e imperialista do aparelho do Estado, o que se simboliza na substitui\u00e7\u00e3o de Urrutia por Dortic\u00f3s na Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, e impulsionou decididamente a dire\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e camponesa sobre a produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o da riqueza.<\/p>\n\n\n\n<p>A etapa democr\u00e1tica da revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o isto: uma aguda luta de classes, mediante a qual a classe oper\u00e1ria incorpora as vastas massas na luta pela destrui\u00e7\u00e3o do velho Estado e passa a constituir os seus pr\u00f3prios \u00f3rg\u00e3os de poder, que se contrap\u00f5em ao poder burgu\u00eas&nbsp;<meta charset=\"utf-8\"><sup>4<\/sup>. Reconhecer, portanto, a exist\u00eancia das duas etapas no processo revolucion\u00e1rio cubano n\u00e3o deve induzir em confus\u00e3o. A etapa democr\u00e1tica da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana n\u00e3o \u00e9 a etapa democr\u00e1tico-burguesa que se tem pretendido erigir em necessidade hist\u00f3rica da revolu\u00e7\u00e3o latino-americana e que se definiria pelas suas tarefas anti-imperialistas e antiolig\u00e1rquicas. Ela \u00e9, sobretudo, a express\u00e3o de uma determinada correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, na qual subsiste ainda o poder burgu\u00eas, a classe oper\u00e1ria n\u00e3o deslinda ainda totalmente o seu pr\u00f3prio poder para afrontar definitivamente o poder burgu\u00eas e a constitui\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a revolucion\u00e1ria de classes segue o seu curso, mediante a incorpora\u00e7\u00e3o nela das camadas atrasadas do povo. E neste quadro que come\u00e7a a apagar-se a ideologia pequeno-burguesa no seio do bloco revolucion\u00e1rio, como o presente estudo demonstra para o caso cubano.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o, portanto, as condi\u00e7\u00f5es de desenvolvimento da alian\u00e7a revolucion\u00e1ria de classes e o processo de forma\u00e7\u00e3o do novo poder que definem as etapas da revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria. \u00c9 assim que se compreende porque \u00e9 que a etapa democr\u00e1tica da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana se estendeu para al\u00e9m do momento em que a vanguarda revolucion\u00e1ria logrou instalar-se no aparelho do Estado. A confronta\u00e7\u00e3o com a experi\u00eancia russa, distinta sob muitos aspectos, \u00e9 elucidativa. Ali, o desenvolvimento do poder dual dos oper\u00e1rios, camponeses e soldados percorre uma primeira etapa de coexist\u00eancia com o poder burgu\u00eas, que det\u00e9m o poder estatal, mas distingue-se claramente deste, incluso em termos de estrutura\u00e7\u00e3o org\u00e2nica; a situa\u00e7\u00e3o \u00e9, pois, distinta da de Cuba, onde ambos os poderes se confundem no interior do Estado. A contradi\u00e7\u00e3o mais denunciada que se observa na R\u00fassia, no plano pol\u00edtico, \u00e9 a que leva a que a passagem do aparelho estatal para as m\u00e3os da vanguarda prolet\u00e1ria coincida com a liquida\u00e7\u00e3o violenta do poder burgu\u00eas atrav\u00e9s de uma insurrei\u00e7\u00e3o armada; em Cuba, essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se produz porque as bases materiais do Estado burgu\u00eas \u2014as for\u00e7as repressivas e a burocracia\u2014 haviam sido anteriormente suprimidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Cabe aqui assinalar que essa transforma\u00e7\u00e3o gradual do Estado cubano nada tem a ver com as teses que se estabeleceram na esquerda chilena, em rela\u00e7\u00e3o a uma dualidade de poderes no seio do Estado, com base nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 1970. Sem insistir em que, no Chile, o aparelho estatal burgu\u00eas permaneceu intacto e, mais do que subordinado, subordinou a si o governo que emergiu dessas elei\u00e7\u00f5es, teses como as mencionadas tendem a desviar a aten\u00e7\u00e3o do que L\u00eanine considerava como um problema fundamental da revolu\u00e7\u00e3o: a conquista do poder pol\u00edtico pelo proletariado. Com efeito, a caracter\u00edstica central das duas revolu\u00e7\u00f5es aqui consideradas reside na cria\u00e7\u00e3o de um tipo superior de estado democr\u00e1tico, para usar a express\u00e3o de L\u00eanine, antag\u00f3nico da rep\u00fablica parlamentar de tipo burgu\u00eas, que se tendeu a criar em ambos os pa\u00edses. Na rep\u00fablica burguesa, \u201co poder pertence ao Parlamento; a m\u00e1quina do Estado, o aparelho e os \u00f3rg\u00e3os de governo s\u00e3o os usuais: ex\u00e9rcito permanente, pol\u00edcia e uma burocracia praticamente inamov\u00edvel, privilegiada e situada por cima do povo\u201d&nbsp;<meta charset=\"utf-8\"><sup>5<\/sup>. As diferen\u00e7as entre a democracia prolet\u00e1ria e a democracia burguesa est\u00e3o precisamente em que a primeira suprime essa m\u00e1quina de opress\u00e3o: ex\u00e9rcito, pol\u00edcia e burocracia, e assegura a vida pol\u00edtica independente das massas, a sua participa\u00e7\u00e3o direta na edifica\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica de todo o Estado, de baixo a cima\u201d, que a rep\u00fablica parlamentar burguesa dificulta e afasta\u201d.<meta charset=\"utf-8\"><sup>6<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Na R\u00fassia, o car\u00e1cter socialista da etapa subsequente afirma-se a partir do momento em que se corta o n\u00f3 g\u00f3rdio do poder em favor do proletariado. Este torna-se, desde o primeiro dia da insurrei\u00e7\u00e3o vitoriosa, a for\u00e7a hegem\u00f3nica da alian\u00e7a de classes revolucion\u00e1ria. As tarefas que se prop\u00f5e n\u00e3o s\u00e3o, ainda, do ponto de vista econ\u00f3mico, rigorosamente socialista&nbsp;<meta charset=\"utf-8\"><sup>7<\/sup>, mas \u00e9-o o seu objetivo. Com o seu rigor acostumado, L\u00eanine define a situa\u00e7\u00e3o na proclama\u00e7\u00e3o ao povo em 25 de Outubro: \u201cO Governo Provis\u00f3rio foi deposto. O poder do Estado passou para as m\u00e3os da Comiss\u00e3o Militar Revolucion\u00e1ria que \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o de deputados oper\u00e1rios e soldados de Petrogrado e se encontra \u00e0 frente do proletariado e da guarni\u00e7\u00e3o da capital&#8221;, terminando com uma sauda\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201crevolu\u00e7\u00e3o dos oper\u00e1rios, soldados e camponeses&nbsp;<meta charset=\"utf-8\"><sup>8<\/sup>. Na sua mensagem do mesmo dia ao Soviete de Petrogrado, L\u00eanine \u00e9 ainda mais expl\u00edcito, quando, depois de afirmar que a revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e campesina \u201cse realizou, declara: \u201cInicia-se hoje uma nova etapa na hist\u00f3ria da R\u00fassia, e esta, a terceira revolu\u00e7\u00e3o russa, deve conduzir finalmente \u00e0 vit\u00f3ria do socialismo.<meta charset=\"utf-8\"><sup>9<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>O que realmente define o car\u00e1cter de uma revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 a classe que a realiza. Neste sentido, devemos falar de revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria do mesmo modo como falamos de revolu\u00e7\u00e3o burguesa. As suas etapas determinam-se pelo grau em que o proletariado logra constituir-se em centro de poder, quer dizer, consegue estruturar o tipo de Estado que lhe permite aproximar-se das vastas massas do povo e manter com elas a luta contra a domina\u00e7\u00e3o burguesa. O que desde logo implica tarefas econ\u00f3micas capazes de retirar a esta classe as suas condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia e, simultaneamente, encaminhar a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade que aponte para o banimento da explora\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o s\u00e3o as tarefas econ\u00f3micas da responsabilidade da revolu\u00e7\u00e3o que determinam o seu car\u00e1cter \u2014como o sustentaram num debate est\u00e9ril estalinistas, e trotskistas\u2014, uma vez que, para realiz\u00e1-las, o proletariado depende dos compromissos contra\u00eddos com os seus aliados e do grau de consci\u00eancia destes.<meta charset=\"utf-8\"><sup>10<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>E bom ter-se presente que, quando se afirma que a necessidade hist\u00f3rica da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-burguesa consiste no facto de ser preciso liquidar as tarefas n\u00e3o cumpridas pela burguesia, para poder enfrentar as que s\u00e3o pr\u00f3prias da constru\u00e7\u00e3o do socialismo, est\u00e1-se a idealizar, se n\u00e3o a burguesia, pelo menos a democracia burguesa. As tarefas democr\u00e1ticas que elevam o proletariado n\u00e3o s\u00e3o tarefas da burguesia nem podem ser cumpridas no \u00e2mbito da democracia burguesa. Isto \u00e9 certo principalmente com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s que se referem \u00e0 democratiza\u00e7\u00e3o do Estado; recordemos que ainda que na sua forma mais avan\u00e7ada: a rep\u00fablica democr\u00e1tica parlamentar, o Estado burgu\u00eas obstrui e afasta a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das massas, j\u00e1 porque restringe as tomadas de decis\u00f5es aos \u00f3rg\u00e3os do Estado, que se situam fora de qualquer controle por parte do povo, j\u00e1 porque exerce sobre este a coer\u00e7\u00e3o armada. Tais tarefas s\u00f3 podem cumprir-se, pois, mediante a democracia prolet\u00e1ria, quer dizer, aquela que assegura a ditadura da maioria sobre a minoria. Ainda no contexto de situa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas determinadas, a necessidade da democracia prolet\u00e1ria (como instrumento que permite ao povo fazer valer a sua vontade) p\u00f5e-se precisamente porque a burguesia no poder n\u00e3o assegura o cumprimento das tarefas exigidas pelas massas. Na R\u00fassia, foi a incapacidade da burguesia para levar a cabo a reforma agr\u00e1ria, a contrata\u00e7\u00e3o da paz e o abastecimento de bens essenciais \u00e0s tropas combatentes e \u00e0 popula\u00e7\u00e3o das cidades o que convenceu as massas da justeza do programa prolet\u00e1rio e abriu as portas \u00e0 tomada do poder pelos bolcheviques.<meta charset=\"utf-8\"><sup>11<\/sup><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Resumindo:<\/h2>\n\n\n\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o russa de 1917 foi uma revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria, no sentido de que o proletariado era a classe hegem\u00f4nica que a realizou; uma revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e camponesa, porque, dado o atraso do capitalismo na R\u00fassia, o campesinato era a for\u00e7a social maiorit\u00e1ria no bloco revolucion\u00e1rio; e uma revolu\u00e7\u00e3o socialista, porque, coerente com o seu interesse de classe, o proletariado elegeu o socialismo como meta. A sua etapa democr\u00e1tica precedeu a passagem do aparelho estatal para as m\u00e3os da vanguarda prolet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o Cubana foi uma revolu\u00e7\u00e3o popular, em virtude da alian\u00e7a de classes que a impulsionou, constitu\u00edda pela pequena burguesia urbana, o campesinato, a classe oper\u00e1ria e as camadas pobres da cidade, cuja etapa democr\u00e1tica se prolongou para al\u00e9m da chegada da vanguarda revolucion\u00e1ria ao poder do Estado; a raz\u00e3o desta peculiaridade reside no facto de a vanguarda ter tido acesso ao poder estatal (cujas bases materiais tinham sido suprimidas) antes de se completar a organiza\u00e7\u00e3o do poder oper\u00e1rio e campesino e a incorpora\u00e7\u00e3o das vastas massas no processo. A passagem da revolu\u00e7\u00e3o popular \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e camponesa em Cuba, correspondeu \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o do aparelho estatal burgu\u00eas, do qual a ditadura de Batista n\u00e3o fora sen\u00e3o uma express\u00e3o, e \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es operadas num sentido socialista ao n\u00edvel da estrutura econ\u00f3mica; ambos os processos se realizaram com base no poder armado dos oper\u00e1rios e camponeses, manifestado no Ex\u00e9rcito e nas mil\u00edcias populares. \u00c9 esta particularidade que explica o facto de que, quando a Revolu\u00e7\u00e3o afeta tamb\u00e9m o plano da ideologia e se proclama socialista, j\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o do socialismo se tinha iniciado, ao contr\u00e1rio do que se passou na R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p>As peculiaridades das duas revolu\u00e7\u00f5es t\u00eam de explicar-se \u00e0 luz das condi\u00e7\u00f5es particulares em que se desenvolveram, bem como \u00e0 luz do grau de desenvolvimento ideol\u00f3gico e pol\u00edtico do proletariado em ambos os pa\u00edses&nbsp;<meta charset=\"utf-8\"><sup>12<\/sup>. O maior m\u00e9rito do livro de V\u00e2nia Bambirra \u00e9, como assinalamos no in\u00edcio, situar-se neste terreno, repudiando o lugar-comum e as explica\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis. Neste sentido, n\u00e3o deve ser tomado por aqueles a quem \u00e9 dedicado \u2014os militantes revolucion\u00e1rios\u2014 t\u00e3o s\u00f3 como um estudo s\u00e9rio e bem fundamentado; tem de tomar-se tamb\u00e9m como uma valiosa achega \u00e0 discuss\u00e3o ideol\u00f3gica e pol\u00edtica que se est\u00e1 travando no seio da esquerda latino-americana, em torno do tema da revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Haveria que dizer, enfim, que o estudo de Vania Bambirra foi levado a cabo no quadro do programa de investiga\u00e7\u00f5es do Centro de Estudos Socioecon\u00f4micos (CESO), da Universidade do Chile, e foi publicado inicialmente, na s\u00e9rie de textos que essa institui\u00e7\u00e3o editava, como uma homenagem ao vig\u00e9simo anivers\u00e1rio do 26 de Julho, data chave na hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana. Dava-se isto na altura em que no Chile a luta de classes alcan\u00e7ava um dos pontos mais altos que apresentou nos \u00faltimos quinze anos na Am\u00e9rica Latina. Neste sentido, A Revolu\u00e7\u00e3o Cubana: Uma Reinterpreta\u00e7\u00e3o era mais do que uma simples homenagem e ultrapassava em muito o alcance de um exerc\u00edcio meramente acad\u00e9mico: representava igualmente um esfor\u00e7o para trazer elementos novos \u00e0 intensa luta ideol\u00f3gica que se verificava ent\u00e3o no seio da esquerda chilena.<\/p>\n\n\n\n<p>E era bom que fosse assim. Uma revolu\u00e7\u00e3o como a de Cuba n\u00e3o pode comemorar-se apenas atrav\u00e9s de atos rituais, destinados a sacraliz\u00e1-la. A comemora\u00e7\u00e3o de uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o deve ser, antes de mais nada, uma renovada tomada de posse dos seus conte\u00fados fundamentais, com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento do esp\u00edrito revolucion\u00e1rio das massas e de os converter cada vez mais em patrim\u00f3nio dos povos.<\/p>\n\n\n\n<p>Junho de 1974.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em><span class=\"has-inline-color has-nv-dark-bg-color\">Ruy Mauro Marini<\/span><\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Notas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>Veja-se, de Clea Silva, Los errores de la teor\u00eda del foco, in Monthly Review: Selecciones en Castellano, Santiago, Chile, n. 45, Dezembro de 1967.<\/li><li>Crit\u00e9rio semelhante adopta Adolfo Sanchez Rebolledo, na sua antologia de discursos e documentos de Fidel Castro: La Revoluci\u00f3n Cubana. 1953-1962, M\u00e9xico, Era, 1972.<\/li><li>O resultado das suas investiga\u00e7\u00f5es neste campo foi publicado nesta s\u00e9rie sob o t\u00edtulo El capitalismo dependiente latinoamericano.<\/li><li>A ela se referiram Marx e Engels na Mensagem da Comiss\u00e3o Central da Liga Comunista, de 1850, quando empregaram a express\u00e3o \u201crevolu\u00e7\u00e3o permanente\u201d \u00e0 qual Trotsky daria mais tarde um cunho marcadamente economicista.<\/li><li>L\u00eanine, As Tarefas do Proletariado na Nossa Revolu\u00e7\u00e3o, O Tema do Poder, Edi\u00e7\u00f5es El Rebelde, s\/d, p\u00e1g. 21, sublinhados de L\u00eanine.<\/li><li>Ibid., p\u00e1gs. 22 e seg., sublinhados de L\u00eanine.<\/li><li>A supress\u00e3o da propriedade dos terratenentes e o controle oper\u00e1rio da produ\u00e7\u00e3o. Cf. L\u00eanine, Aos cidad\u00e3os da R\u00fassia, Obras Escolhidas, Moscovo, Editorial Progresso, T. 2., p\u00e1g. 487. Nenhuma dessas medidas implica a socializa\u00e7\u00e3o da economia. Os bolcheviques n\u00e3o previam inicialmente a nacionaliza\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e massiva das empresas na R\u00fassia. O testemunho de L\u00eanine n\u00e3o deixa d\u00favidas a tal respeito: Um dos primeiros decretos, promulgado em final de 1917, foi o do monop\u00f3lio estatal da publicidade. Que Implicava este decreto? Implicava que o proletariado, que tinha conquistado o poder pol\u00edtico, supunha que haveria uma transi\u00e7\u00e3o mais gradual para as novas rela\u00e7\u00f5es econ\u00f3mico-sociais: n\u00e3o a supress\u00e3o da imprensa privada, mas o estabelecimento de um certo controlo estatal que a conduziria pelos canais do capitalismo de Estado. O decreto que estabelecia o monop\u00f3lio estatal da publicidade pressupunha, simultaneamente: a exist\u00eancia de peri\u00f3dicos privados como regra geral; que se manteria uma pol\u00edtica econ\u00f3mica que requeria an\u00fancios privados; e que subsistiria o regime da propriedade privada, continuando a existir uma quantidade de empresas privadas que careciam de an\u00fancios e propaganda, a Informa\u00e7\u00e3o sobre a nova pol\u00edtica econ\u00f3mica, 29 de Outubro. Obras Completas, Buenos Aires, Cartago, t, XXXV, p\u00e1g. 535.<\/li><li>\u201cAos cidad\u00e3os da R\u00fassia\u201d, op. cit. sublinhado nossos.<\/li><li>\u201cInforme Sobre as Tarefas do Poder Sovi\u00e9tico\u201d, Obras Completas, op. cit. t. XXVI.<\/li><li>L\u00eanine sabia-o perfeitamente, quando, ao planear a tomada do poder pelo proletariado, advertia ao partido do proletariado n\u00e3o poder\u00e1 de modo nenhum propor-se &#8216;implantar&#8217; o socialismo num pais de pequenos camponeses enquanto a imensa maioria da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tiver tomado consci\u00eancia da necessidade da revolu\u00e7\u00e3o socialista&#8230; Em que consistiria ent\u00e3o, inicialmente, a revolu\u00e7\u00e3o? Na cria\u00e7\u00e3o de um Estado capaz de permitir ao proletariado guiar o campesinato ao socialismo. Para a constru\u00e7\u00e3o desse Estado era poss\u00edvel conquistar-se os camponeses. \u201cSe nos organizarmos e elaborarmos com intelig\u00eancia o nosso programa, conseguiremos que n\u00e3o s\u00f3 os oper\u00e1rios mas tamb\u00e9m nove d\u00e9cimos dos camponeses estejam contra a restaura\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia, contra a burocracia inamov\u00edvel e privilegiada e contra o ex\u00e9rcito separado do povo\u201d. E L\u00eanine insistia: \u201c\u00c9 precisamente nisto e s\u00f3 nisto se estriba o novo tipo de Estado\u201d. As Tarefas do proletariado&#8230;, op. cit., p\u00e1gs. 29 e 34.<\/li><li>A tal respeito, L\u00eanine assinalou que a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades econ\u00f3micas mais prementes das massas n\u00e3o poderia ser realizada pela burguesia, e por muito &#8216;forte&#8217; que seja o seu poder estatal. E acrescentava: \u201cO proletariado, em compensa\u00e7\u00e3o, pode faz\u00ea-lo no dia seguinte ap\u00f3s a conquista do poder estatal, pois disp\u00f5e para isso tanto do aparelho (soviets) como dos meios econ\u00f3micos (expropria\u00e7\u00e3o dos terratenentes e da burguesia)&#8230; As elei\u00e7\u00f5es para a Assembleia Constituinte e a ditadura do proletariado, O Problema do Poder, op. cit. p\u00e1g. 74 e seg., sublinhados nossos.<\/li><li>\u00c9 significativa a import\u00e2ncia que L\u00eanine atribui, no \u00eaxito da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, a condu\u00e7\u00e3o que, ap\u00f3s quinze anos de exist\u00eancia, o Partido bolchevique lograra afirmar no seio do proletariado. Essa condu\u00e7\u00e3o, que se expressava na \u201ccentraliza\u00e7\u00e3o mais severa e numa disciplina f\u00e9rrea\u201d, explicava-se, aos olhos de L\u00eanine, precisamente pelas \u201cparticularidades hist\u00f3ricas da R\u00fassia\u201d. Cf. \u201cA Doen\u00e7a Infantil do \u2018Esquerdismo\u2019 no Comunismo\u201d, Obras Escolhidas, op. cit., t. 3, p\u00e1g. 373 e segs.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-themeisle-blocks-advanced-columns has-2-columns has-desktop-oneTwo-layout has-tablet-equal-layout has-mobile-equal-layout has-default-gap has-vertical-unset\" id=\"wp-block-themeisle-blocks-advanced-columns-78bfedee\"><div class=\"wp-block-themeisle-blocks-advanced-columns-overlay\"><\/div><div class=\"innerblocks-wrap\">\n<div class=\"wp-block-themeisle-blocks-advanced-column\" id=\"wp-block-themeisle-blocks-advanced-column-c83ae97b\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-themeisle-blocks-advanced-column\" id=\"wp-block-themeisle-blocks-advanced-column-3c638dde\">\n<div class=\"wp-block-file alignright\"><a id=\"wp-block-file--media-d48351b1-0a8e-412f-9fa9-da697789fbec\" href=\"http:\/\/marini-escritos.unam.mx\/wp-content\/uploads\/1975\/01\/27-A-Revoluc\u0327a\u0303o-Cubana-uma-reinterpretac\u0327a\u0303o.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A Revoluc\u0327a\u0303o Cubana- uma reinterpretac\u0327a\u0303o<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fuente: Vania Bambirra, A Revolu\u00e7\u00e3o Cubana: uma reinterpreta\u00e7\u00e3o, Ed. Centelha, Coimbra, Brasil, 1975. Se publica en Internet gracias a la autora del libro. 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