Reflexões sobre o bonapartismo
Fuente: Marini, Ruy Mauro, “Reflexões sobre o bonapartismo”, Movimento: Revista da União Nacional dos Estudantes, n. 1, 1962, pp. 12-15.
Agradecemos a Thomás Zicman de Barros el envío del documento.
O bonapartismo aparece em situações históricas nas quais a sociedade radicaliza-se em dois setores extremos de direita e esquerda, nenhum dos quais, entretanto, é suficientemente forte para impor-se ao outro. A prolongar-se esse estado de coisas, a ordem social pode ser levada a um impasse, cuja única saída é a guerra civil. Em tais circunstâncias, o Estado tende a apresentar-se como desvinculado das classes conflitantes, e acima delas, para preconizar o exercício de uma política que, sem atender a interesses específicos, vise ao bem geral.
Na realidade, e considerando-se que nenhuma forma política repousa sobre o vazio, o Estado bonapartista realiza a política de uma classe – a burguesia – mas de maneira mediata, atendendo sobretudo seu setor mais impessoal – o capital financeiro. Constitui-se, assim, na solução burguesa para as crises pré-revolucionárias e, reunindo embora a adesão de setores das classes populares, não representa um regime popular, visto que pratica uma política adversa à classe operária. Por outro lado, apesar de apoiar-se no aparelho militar organizado ou de constituir seu próprio suporte armado, distingue-se da ditadura militar propriamente dita, na medida em que não apela exclusivamente para a força, mas visa a suscitar a adesão mais ou menos explícita de estratos populares.
